sábado, 7 de fevereiro de 2009

ADMIRAÇÃO



Admiração! Surgido da estética inescrupulosa
A razão tentou relutar, mas impotente ficou
Perante a admiração estética da moça formosa
A posteriori a razão pensava vencer, mas fracassou.

Do contato segundo da estética moça
Ficou subjugada a razão ao perceber que
Perspicácia e estética, por zombaria divina,
Podem se coadunar em uma só menina.

E o que antes era desejo de consumo estético
Transformou-se em sentimento de espírito ético
O gostoso que se consume a primeira vista
Passou a ser uma projeção, do Ser, mista.

Vejo que eu não sou mais só no mundo,
Mas sou o mundo através da moça e, contudo,
Nada se reduz a moça, mas ela é que confere sentido a tudo

Mesclados, sentimento e desejo,
Mal posso vê-la sem desejar dar-lhe um beijo
E na sua ausência a sinto tão intensamente como que a vejo.

[Flávio Soares... p/ RN. 07/02/09]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Fórum Social Mundial 2009


Do Fórum


O Fórum Social Mundial realizado no Brasil-Pará-Belém, o fórum da Amazônia. Como sempre todos pensam que é um evento de alcance mundial para o debate sério e consciênte em busca de uma saída das mazelas da humanidade como a fome, a pobreza e a mizéria. Porém o que por lá se encontra é uma reunião de tribos pseudo-alternativas de todo o Brasil e de todo o mundo. Cada uma mantendo suas tradições e preconceitos na tentativa de se reafirmarem e manterem sua eugenia.

90% do público do FSM é de bichos-grilos financiados ou remediados, turistas naturebas usuários de maconha pregadores de paz e amor - uma versão piorada dos hippies - e todos eles, claro, estudantes na maioria universitários, daí sua má fama. Os 10% restantes são de organizadores do evento e dos "intelectuais" engajados, saídos dos gabinetes depois do bom exemplo de Sartre e que palestram apenas para os próprios organizadores do Fórum.

Diante deste quadro os melhores nomes que eu testemunhei do FSM foram:

1-Fumo Social Mundial;

2-Fodo Social Mundial;

3-Fórum Sinceramente Medíocre.

E muitos outros nomes que não recordo agora. Não fosse isso esse evento serviu muito bem de demonstração como um outro CAPITALISMO é possível. Tal evento enfervece qualquer cidade que o realiza e toda cidade que é paldo deste evento social mundial não perde tempo em majorar seus potenciais turísticos com muito pouco respeito ao social e muito respeito ao mundial. Na cidade o social foi para as pupunhas, ou seria cucunhas?! Enfim, já era. Já o mundial, o aspecto economico mundial lá foi muito bem representado. Mas vejamos, abaixo, mais sobre a cidade.


Da Cidade


(em construção)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Uma Leitura do Big Brother Brasil, por Luís Torres.

Como um menino sobre a cadeira de rodas*

O Big Brother Brasil começou, para a alegria de muitas pessoas, que poderão finalmente passar horas e horas na frente da tv torcendo, emozionando-se, sorrindo, divertindo-se e discutindo os mais diversos argumentos em torno dos assim chamados “náufragos da casa”. Mas o que será que se esconde por trás desse fenômeno televisivo? Quem são os telespectadores desse tão famoso e igualmente inútil programa? Vejamos.

Uma casa fechada, hospeda um numero x de pessoas, escolhidas entre milhões que se candidataram, todas movidas pelo mesmo interesse, ou seja, ganhar uma grande quantidade de dinheiro sem muito esforço e, de quebra, passar mais de dois meses na televisão e aparecer no canal mais potente do país. É esse o cenário visível do Big Brother, são fatos declarados, todos sabemos. Os mais curiosos, porém, preferem não ficar só espiando, pois não é o melhor método para visualizar o conteúdo das entre linhas, que em geral é o mais interessante. Sendo eu muito curioso e preocupado por questões assim tocantes, decidi refletir e tentar ver o conteúdo escondido dessa fábula e, de tal modo, compreender melhor o famoso reality show.

Era pois um domingo qualquer de janeiro, pleno inverno aqui na Itália, eu estava sentado no banco de um parque admirando a brancura da neve que cobria a grama. Muitas crianças brincavam, corriam e faziam a divertida batalha com bolas de neve. Foi então que eu vi um menino sobre uma cadeira de rodas, empurrada pela sua mãe, penso, vindo na minha direção. Pararam exatamente no banco à minha esquerda, ela sentou-se, abriu um livro e começou a ler, enquanto o menino, sobre a sua cadeira de rodas, olhava os outros meninos que corriam e faziam a festa com a neve. Vi nos seus olhos o brilho da decepção e da sã inveja, pois tudo o que ele desejava era correr sobre aquela neve e brincar com os outros meninos. Apesar disso, percebi que o menino se divertia assim mesmo, pois dava risadas e comentava a brincadeira dos outros. Nesse exato momento penei: acabei de encontrar uma chave de leitura do fenômeno Big Brother.

O fã do Big Brother é semelhante ao menino sobre a cadeira de rodas. Esse fervoroso fã, no seu total anonimato, na sua desesperada pequenez, na sua pobreza (não necessariamente econômica, mas também cultural) e talvez numa paralisia do senso crítico, não tem outra opção, não lhe resta que saborear o prazer dos náufragos, mandar um sms a favor do preferido e torcer. O importante é poder ir dormir tranquilo, sabendo que o candidato predileto se salvou do paredão e que no dia seguinte, na mesma hora, ele vai estar lá, à inteira disposição do desconhecido que tem poder somente sobre o controle remoto. Um poder que começa a perder as forças, visto que ele aos poucos vai se transformando num pobre escravo de um só canal, que é aquele que fornece a ilusão mais emocionante e entorpecedora.

Devo porém confessar que o menino sobre a cadeira de rodas não é exatamente igual ao fã do Big Brother. Para o menino sobre a cadeira de rodas o fim do inverno e o derretimento da neve é um alívio, pois ele não vai ter que continuar vendo os outros meninos divertirem-se com a neve enquanto ele olha, olha e sorrir. Para o fã do Big Brother, ao contrário, o fim de uma temporada do reality show é sinônimo de saudade, faz falta, é preciso acostumar-se e organizar de novo a agenda cultural, procurar um novo fornecedor de ilusões. Mas, felizmente, ele pode tranquilizar-se pois a tv oferece aos montes esse tipo de produto, assim ele pode ir passando o ano enquanto espera a nova temporada do grande irmão, pois só ele pode satisfazer “alla grande” as exigências do anonimato. Afinal só o grande irmão oferece a possibilidade de mandar um sms e decidir quem entra e quem sai, quem ganha e quem perde. Só o grande irmão consegue dar o prazer de viver uma vida diferente daquela dura, difícil e monótona vida real, basta um click e uma espiadinha. Só o grande irmão tem um confessionário com uma telecamera 24 horas por dia, a serviço de quem aparece e de quem gostaria de aparecer.

Melhor que isso só mesmo tornar-se um náufrago ou ser um menino sobre uma cadeira de rodas num parque coberto de neve.

Luís Torres Guimarães
________________________
* Pensamentos de um grande amigo que trancou o curso de Filosofia na Universidade Federal do Maranhão, pois ganhou uma bolsa para estudar Neuropsicologia em Turin – Itália. Luís é maranhense de Imperatriz e ex-seminarista que saiu de sua cidade com um ideal de melhores condições de sobrevivência e o qual eu tive o prazer de conhecer e fazer grande amizade no curso de Filosofia. Agora, de Turin, ele continua me enviando seus pensamentos inquietantes sobre a realidade cotidiana e que eu tenho o imenso prazer de publicá-los em meu blog. Essa é a atitude de um filósofo não forjado pela academia, mas pela vida.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

ЭNTRЭPЭRNASЭLINHAS


É com as palavras que expressamos o pensamento, mas é nas entrelinhas das palavras que se encontra a verdade dos pensamentos.
Falar é como andar e, às vezes, trocamos as pernas.
Corremos quando queremos andar e andamos para, propositalmente, nos atrasar.
É quando silenciamos que fazemos mais barulho e quando estamos a gritar, na verdade, queremos silêncio.
Não, realmente não dá pra nos dissociarmos dos macacos, pois quando analisamos profundamente algo acabamos invertendo a perspectiva e falando sem nada falar, ocultando o que se quer dizer, embora pensando estarmos sendo claro e objetivo.
Quem nunca quis dizer algo e ficou falando em círculo tentando não chegar ao ponto bruscamente? Quem nunca, correndo, trocou os pés e caiu? Quem nunca, querendo enganar, se traiu?
Quem fala a verdade diretamente é um maldito, pois tantos rodeios são necessários para algo não ser digo. Quem não lê as entrelinhas nunca sabe da verdade!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo de Novo!

A gota pinga.
O tempo esvai-se.
A contagem linear do tempo urge!
O que se foi, vai-te...

A vida passa lentamente,
Desgraça!
O universo conspira inutilmente,
sem graça.

O novo de novo vem,
Porém de novo o novo nada tem.
O velho, outrora novo,
Perdido no tempo oco.

O tempo, inexistente,
Alimenta o velho e o novo
E a esperança do povo, de novo!

Flávio Soares...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Catarina Rosa

Catarina Rosa, 22 primaveras em 2008, do ultimo dia de algum ano nascida, de família mediana. Mãe, friamente nordestina e adorável filha de algum coronel do interior. Pai, sulista, temperantemente religioso (falso moralismo) e ex-asceta da religião que se julga verdadeira, mas por não conconcordar com a política do voto de pobreza mais do que o da castindade, resolve abdicar de ser pobre e não de ser casto. Dessa vontade de matrimônio, também abençoada pelo sangue do cordeiro cujo nos fala o Senhor no sagrado livro "não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea." (Gn.2,18). Assim origina-se a degeneração abençoada do homem e das duas divinas criaturas irrompe sarcasticamente Catarina Rosa.

1.
Catarina Rosa herda o temperamento dissimulado paternal e a frieza condescendente maternal. Quando criança em escola filantropica católica - que cobrava uma quantia generosa mensal - já olhara maliciosamente para seus coleguinhas de classe revelando algum interesse inconsciente e sinalizando que não tinha tendências homossexuais, apesar de alguns fetiches incomuns na adolescência, diga-se de passagem esta um pouco prolongada. Porém, Catarina Rosa é muito sensível e amável quando gosta, mas muito seca e rude quando quer apenas satisfazer seus desejos, digamos, corporais.

Ela é muito prática, certa vez, ainda criança, tinha esquecido do seu lápis N° 2 em casa. Então viu o do colega ao lado e pegou, pôs na boca suavente e com o cabelo pra frente e fazendo um biquinho de choro - isso aos 10 anos - o colega não resistiu e deu o lápis. Conseguiu o lápis N° 2 sem abrir a boca para dizer: tu podes me emprestar um lápis? Apenas fez um biquinho com o lápis na boca e o cabelo pra frente, biquinho de choro, mas que ficou muito sensual na ocasião que nenhum coleguinha resistiria. Tudo isso conseguido através da arte que trazia consigo de nascença, geneticamente até, a arte da dissimulação.

Catarina Rosa, ainda na 5ª série, já deixava os marmanjos da 8ª babando. Isso causava muita revolta das meninas de sua turma e principalmente das meninas da 8ª. A escola, um casarão antigo do século XVII, muito bem conservado e com esconderijos que até os administradores mais antigos desconheciam. A farda ajudava bastante as seduções de Catarina Rosa, uma blusa branca e uma sainha de pregas que, nela, ficava acima dos joelhos mostrando toda a formosura e belas formas estéticas de suas pernas. Os administradores da escola adotaram a saia por demonstrar mais respeito do que as calças, porém não previram que a saia demonstrava mais desejos do que respeito e as meninas sabiam usar as saias muito bem, pois eram pra ser saias longas só que as meninas dobravam o elástico da cintura para encurtar as saias. Essa arte de encurtas as saias foi idéia de Catarina Rosa disseminada em toda a escola para desespero dos administradores e delírios dos alunos do sexo oposto.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Saber Desesperado

"Há metafísica bastante em não pensar em Nada." [Alberto Caeiro]

O Amor e a Fé são o desespero da Razão.
A Vida é o desespero da Existência.
O Compreender é o desespero da Solidão.
[A Lógica é o terror agonizante do Pensamento.]
A Metafísica é o desespero da Experiência.

O Saber é o desespero da Verdade
De nunca saber se verdadeiramente sabe.
Saber de tudo sem nada saber
É saber de uma coisa: NADA...

Saber o Nada é tão profundo
Que Razão não conhece nada do mundo
E menos ainda Nada do NADA.

Flávio Soares...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Da Amizade Verdadeira

Para os poucos amigos verdadeiros, em especial à José Nilson Viana Rabelo, pastor.

"Quando os homens são amigos não necessitam de justiça, os justos necessitam também da amizade." [Aristóteles]

A verdadeira amizade não é obsequiosa,
Não quer agradar a todos.
Também não é grosseira,
Que a tudo se opõe.

Ela é a sensatez espiritual e racional
De saber reconhecer e inclinar-se ou contrapor-se
De forma virtuosa como deve.

A verdadeira amizade é boa em si mesma.
Mas não amamos o que é bom em si mesmo,
Amamos o que nos parece bom.
O que nos parece bom é benevolente e
Benevolência só é amizade se correspondida.

A verdadeira amizade só é verdadeira se boa e agradável
E resultantemente útil por isso.
A amizade por interesse é egoísta,
Ama o que é agradável e útil
Não o amigo em si.

Amigos são amáveis, bons e agradáveis em si mesmos.
Amantes são prazerosas, agradáveis e úteis para outem.

Flávio Soares...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Contos do Senhor "F"

O senhor "F" é alguém muito pacato que encontra a felicidade da vida em suas coisas mais simples. Toma um porre de quando em vez para livrar-se do mundo que o cerca e o agride intensamente, mas não condena os que procuram a igreja para terem a mesma fuga proporcionada pelas drogas baratas, talvez condene mais os que procuram as drogas baratas ilícitas do que os que buscam a igreja. Estes preconceitos são típicos da educação pequeno burguesa das classes insolventes.

1.

Esclarecimento: Agradeço a plêiade de pessoas que comentaram seu ficcional conto e que todos voltem a contemplar os seus próximos, caso não sejam novamente censurados. Eu, na condição de mero arauto do senhor "F", narrei e narrarei apenas o que acontece em seu "mundo das idéias" que nunca veio ou virá a existir e desprovido de qualquer interesse mimético da vida real, mesmo que - como disse Oscar Wilde "a vida imita a arte" - ela possa vir a assemelhar-se à ficção.

Censurado - "O silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora" [Pascal].

2.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A Morte do Senhor Rouxinol

Para L. M. D. M.

Senhor Rouxinol, por acaso não sabes

Que à rosa doastes sua alma e seu coração?

E quanto mais alto voares mais estará ligado ao chão.


Senhor Rouxinol, cravastes o peito no espinho da branca rosa

E, enquanto entoavas teu último e mais belo canto,

Como que por encanto,

Transformastes em rubra a branca rosa.


Oh! Senhor Rouxinol, destes tua vida à rosa

Que agora formosa, não lembra tua bela e lúgubre canção

Enquanto doavas a ela o teu coração.


Flávio Soares...